A família do menino Isac Natalício da Silva, de 2 anos e 5 meses, residente no Bairro Imigrantes, em Estrela, pede esclarecimentos sobre o atendimento que o menino teve no Pronto Socorro do Hospital Divina Providência no último domingo (19), onde recebeu medicamentos para infecção na garganta e acabou falecendo no dia seguinte com diagnóstico de pneumonia e diabetes.

Com febre, que iniciou no sábado (18), o menino foi levado à casa de saúde estrelense, onde recebeu, conforme receita médica, amoxicilina e dipirona. Segundo a tia do menino, que era chamado de bebezão pela família, Adriana Rodrigues da Silva, os pais pediram que fossem feitos exames de sangue e raio-X. “O médico achou que não tinha necessidade. Ele só explicou que ele tinha bastante infecção na garganta e um pouco de bronquite, nada que o remédio não fosse resolver. Beleza, ficamos todos tranquilos”, relata.

Após ter consultado no Pronto Socorro do Hospital Estrela, o menino voltou para casa e iniciou o tratamento com a medicação indicada pelo médico. Ele permanecia com uma febre, que segundo Adriana era fraca, mas depois seu quadro de saúde piorou. “No final da tarde ele teve um desmaiou, só que no atendimento eles explicaram que o menino estava com uma tremura as pernas e o médico disse que era normal devido a uma fraqueza que ele tinha.”

Por volta das 20h de segunda-feira (20) a família levou a criança novamente ao Pronto Socorro. “De lá nós não voltamos mais. Quando o bebezão chegou lá ele já foi intubado. Minha cunhada se apavorou, ninguém esperava por aquilo”. Os demais familiares permaneciam na rua aguardando e achavam que a situação era simples.

Passado algum tempo, a mãe do menino saiu e comunicou que a situação era grave, pois Isac estava com um quadro de pneumonia e diagnóstico de diabetes. “Coisas que a gente nem sabia que ele tinha. Ficamos sabendo na hora. Acho que eles tentaram reanimar ele, quando eu escutei os gritos dela (mãe), e então começou a noite mais longa e mais triste da nossa vida”, conta a tia emocionada.

Atestado de óbito

O atestado de óbito de Isac informa que a causa da morte foi choque séptico, septicemia/sepse e hemorragia pulmonar. O menino foi sepultado no Cemitério Municipal de Novo Paraíso, no interior de Estrela. Ele era filho de Fabiano Rodrigues da Silva e Deise Ferreira da Silva.

Família faz questionamentos

A família lamenta e questiona o atendimento que Isac recebeu no domingo (19), em sua primeira ida ao hospital. Segundo a família, Isac tinha histórico de pneumonia, quando teve a doença há dois anos. Na época ele recebeu tratamento com medicamentos em casa e não precisou ser internado no hospital. “O que minha cunhada insiste é que foi pedido o raio-X e o exame de sangue para ver se ele não tava com alguma infecção ou até mesmo com a pneumonia. O médico garantiu que não era necessário”, reforça.

Adriana relata que nada vai trazer o menino de volta para família, mas é preciso que haja justiça. “Não é o Isac, têm Marias e Gabrielas. Não queremos que aconteça de novo. Se a gente tem uma conta, a gente corre e consegue pagar. Se a gente não tem comida, a gente dá um jeito, mas um filho ninguém devolve para uma mãe, ninguém devolve para família.”

Após o falecimento, a tia disse que prometeu ao menino que não desistiria de lutar por ele. “Eu disse, bebezão, tu está descansando, está num plano melhor que nós, mas a tia vai provar para todo mundo que foi descaso que aconteceu contigo, e foi. O SUS (Sistema Único de Saúde) é nosso, é direto dele, deveria ter feito o primeiro atendimento, feito o raio-X, teria mais tempo, teria mais horas para ele se recuperar, agora ele já foi”,

Manifestação no sábado

Circula nas redes sociais a informação sobre uma caminhada que será realizada no próximo sábado (25) em nome do menino. Segundo a publicação, a saída será na rodoviária de Estrela, em direção ao hospital, com início previsto para às 8h. Pede-se que todos usem camisetas brancas e levem cartazes pedindo justiça ao Isac. Ao ser questionada sobre o evento pela reportagem, a tia do menino respondeu que a família não tinha conhecimento e ficou sabendo da ação através das redes sociais.

O que diz o hospital

A reportagem entrou em contato com o Hospital Divina Providência, que preferiu não falar sobre o assunto, mas encaminhou uma nota. No texto, a casa de saúde diz que “reitera que as providências para apurar as circunstâncias em relação ao atendimento realizado no domingo (19) já foram adotadas e estão tramitando com os critérios e seriedade que a situação exige”.

Acrescentou dizendo que “a direção da casa de saúde informa que fez contato com familiares para recebê-los e ouvi-los”. Conversa, que segundo o hospital, deveria acontecer ainda na quinta-feira (23). A nota concluí dizendo que o hospital “lamenta a perda do paciente, pois sua missão é cuidar e salvar vidas. E nunca se afastou deste propósito neste ou em qualquer outro caso. Por isso, coloca-se ao lado da família neste momento tão difícil”.

Texto: Gabriela Hautrive / producao@independente.com.br

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